Enoturismo da Serra Gaúcha deve atrair número ainda maior de visitantes pós-pandemia

Segurança sanitária, procura pelo turismo interno e confirmação de importantes eventos tendem ao crescimento do setor nos próximos meses, afirma turismóloga

O desejo de conhecer novos lugares e socializar une-se à crescente segurança sanitária, consequência do andamento da vacinação contra a covid-19, para fazer com que um dos segmentos mais atingidos durante a pandemia recupere as perspectivas otimistas para os próximos meses. O turismo aposta na flexibilização dos protocolos e na necessidade que grande parte da população tem de, literalmente, sair de casa. Na Serra Gaúcha, o potencial gastronômico e vitivinícola ganha enfoque especial a partir do crescimento do enoturismo, alicerçado em experiências personalizadas e na confirmação de importantes eventos no calendário que se desenha para 2022.

Quem conhece o setor é categórico em afirmar que as ofertas enoturísticas da região vão ao encontro do que buscam os visitantes pós-pandemia. “O enoturismo se apresenta como um dos segmentos mais procurados pelo turista, já que alia experiências de cultura autêntica, muitas vezes em contato com a natureza e com um dos produtos que cresceu muito na apreciação dos brasileiros durante a pandemia: o vinho”, considera a turismóloga Ivane Maria Remus Fávero.

Mestre em turismo e com décadas de experiência nos setores público e privado do segmento (tanto nacional como internacionalmente), Ivane projeta uma retomada, que já está acontecendo, na medida em que avança o número de pessoas vacinadas e se reduzem os contágios. “Se tudo andar conforme o anunciado pelos governos, teremos um ‘boom’ do turismo no final do ano e no próximo verão”, adianta.

Esse otimismo está baseado, de forma especial, no crescente interesse pelos destinos interioranos, como é o caso de Bento Gonçalves. “As pessoas perceberam, mais fortemente durante a pandemia, os reais valores da vida, o que realmente nos transmite bem-estar e gera felicidade. Assim, os lugares de hospitalidade verdadeira, onde se pratica o ‘slow tourism’, se valoriza o ambiente natural e se apresenta a cultura, são e seguirão sendo muito procurados”, explica.

Um ponto extra que pode ser conferido ao enoturismo gaúcho é a capacidade de reinvenção do setor. “Alguns empreendedores se reinventaram e entenderam que a experiência turística começa no digital. Trabalharam bem seu posicionamento na internet e, ainda, inovaram nas experiências oferecidas. Alguns municípios também trabalharam bem os protocolos, reforçando a confiança do turista. Estes serão lembrados no momento da retomada das viagens”, sentencia.

Possibilidade de criação da Zona Franca da Uva e do Vinho deve ajudar

Um dos tópicos que pode ter efeito real e direto no enoturismo é a criação da Zona Franca da Uva e do Vinho – que deve reduzir, em um primeiro momento, 30% o preço dos produtos do setor, segundo estimativa da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale). “Se houver a devida baixa no valor final do vinho para o turista que visita a região e isso for trabalhado com seriedade por empreendedores e poder público, certamente aumentará o fluxo de visitantes. É preciso planejar este crescimento, redistribuindo o fluxo, garantindo o desenvolvimento sustentável (ambiental, cultural, econômico e social) do turismo na região, no RS”, aponta a turismóloga.

A expectativa é de que o projeto de lei, em tramitação hoje na Câmara, possa ser aprovado até o final do ano no Congresso Nacional e, depois, passe pela sanção presidencial. A proposta é que o regime de redução tributária adotado seja aplicado às etapas do plantio e colheita das uvas e à produção, engarrafamento e venda dos vinhos.

Confirmação de importantes eventos também fortalece a região

Uma verdadeira ode à celebração comunitária em torno do vinho é vista em eventos que simbolizam a vocação enoturística da Serra. Entre as mais evidentes do país está a Festa Nacional do Vinho, que em 2022 chegará à 17ª edição. A Fenavinho projetou o enoturismo de Bento Gonçalves e região para o Brasil e, por isso, sua confirmação representa a concretização de uma retomada sólida para o setor a partir do próximo ano. “A festa ajudou a entender que o enoturismo é muito mais do que está ‘dentro da garrafa’, são as vivências que o turista terá em um território vitivinícola. A retomada deste evento contribuirá para o fortalecimento da identidade enoturística da região”, aposta Ivane.

Antes da festa, porém, prevista para ocorrer de 09 a 19 de junho, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, a Fenavinho reserva um momento icônico para os visitantes: o Vinho Encanado. Artífice da fama nacional do evento, o atrativo reúne uma programação cultural na Via del Vino ao mesmo tempo que comercializa vinho a preços módicos diretamente de torneiras instaladas na Casa del Vino, no centro do município. O encontro ocorrerá no último trimestre do ano, adaptado ao novo momento e respeitando os protocolos sanitários.

A 17ª Fenavinho será realizada de forma concomitante à 30ª ExpoBento, dentro da Vila Típica do Parque do Eventos – um cenário que emula o casario típico do início do século 20 da região, bem como os espaços de convivência comunitária que reuniam os imigrantes em torno de cantorias e filós. O espaço reúne as mais famosas vinícolas brasileiras, onde é possível degustar alguns dos mais premiados vinhos nacionais – acompanhados de iguarias típicas da região, responsáveis por sua fama gastronômica. Shows temáticos também farão parte da programação.

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